quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Entrada, Sinal-da-Cruz e Saudação

Entrada, Sinal-da-Cruz e Saudação

      O sacerdote e os ministros – concelebrantes, diáconos, acólitos, cerimoniários – se dirigem ao presbitério, diretamente da sacristia ou em procissão do fundo da igreja. Durante esse tempo, é cantado um canto de entrada, ou a Antífona da Entrada, que, aliás, pode ser simplesmente dita.
Chegando ao presbitério, o celebrante e seus auxiliares genufletem, se houver tabernáculo, ou fazem vênia ao altar, se não houver ou se aquele estiver deslocado para uma capela lateral. Após a genuflexão ou a vênia, conforme o caso, deve o celebrante beijar o altar.
      Na falta de canto de entrada, o sacerdote canta ou diz a Antífona da Entrada após a Saudação. Nas Missas sem povo, a Antífona da Entrada é dita após o Ato Penitencial e antes do Kyrie. Do contrário, segue diretamente para esta, após uma breve monição introdutória à Missa do dia.

      Está proibido o uso de elementos, na procissão de entrada, que não apontem para a essência do ato sagrado, i.e., para o caráter sacrifical da Santa Missa, e que, por isso mesmo, não estão descritos nas rubricas. Dessa forma, os acólitos e demais ministros podem carregar, na entrada, o Missal ou o Evangeliário, o turíbulo com o incenso, e a cruz processional.Outros símbolos, como cartazes explicativos, por exemplo, mesmo que tenham significado religioso, não podem ser usados: primeiro por não estarem previstos nas normas litúrgicas; segundo por não apontarem para o caráter sacrifical da Missa. Já vi em uma procissão de entrada, ministros levando pombas na Missa de Pentecostes, e ramos de árvores em uma na qual o Evangelho do dia falava da videira que é Cristo. Ora, tais são exemplos do que é totalmente inadmissível na celebração do Santo Sacrifício da Missa.
      A Saudação é dirigida pelo sacerdote. O sinal-da-cruz é feito por todos os fiéis, mas sua fórmula é dita somente pelo padre!Ele é quem oferece o sacrifício e preside os atos dos fiéis; só ele é essencial para que haja Missa válida, ainda que seja preciso ao menos um assistente para que ela seja lícita, exceto por alguma razão que justifique essa ausência. Só o padre diz a fórmula do sinal-da-cruz porque é ele quem está se apresentando diante do santuário sagrado de Deus, Nosso Senhor. Não se pode substituir a fórmula própria e tradicional por outra, ainda que pouca diferença ou com meros acréscimos àquela. Não se inventem “musiquetas” com a letra do sinal-da-cruz para uso na Missa! Os fiéis, à fórmula do sinal-da-cruz, respondem “Amém”, expressando sua adesão à intenção do celebrante.

      Após, o sacerdote dirige a Saudação propriamente dita, segundo uma das fórmulas previstas no Missal Romano, a qual é respondida apropriadamente pelos fiéis, segundo as mesmas disposições das rubricas.
      A Santa Missa é um sacrifício de Deus Filho a Deus Pai, na unidade de Deus Espírito Santo. Ainda que a humanidade, representada pelo povo que está na igreja, seja a beneficiária do sacrifício, Deus é o destinatário. É a Ele que a Missa é dirigida, e não aos fiéis, não à assembléia. Não está o sacerdote na Missa para dirigir um espetáculo ao povo. Tampouco é a Missa uma palestra do padre à assembléia em oração, ou uma exposição sua acerca do mistério da Cruz: ela é o próprio mistério da Cruz tornado novamente presente!
      Dessa maneira, não é conveniente que o sacerdote cumprimente os fiéis, no início da Missa, como se fosse um mestre-de-cerimônias, ou como se a eles fosse a celebração dirigida. O padre está na Missa para oferecer um sacrifício ao Pai: é um diálogo do sacerdote com Deus, e não do primeiro com o povo. Aliás, as intervenções dialogadas entre o padre e os fiéis são uma motivação a estes para que, junto com o sacerdote, apresentem-se unidos a Cristo no sacrifício oferecido ao Pai. Os pólos da Missa não são o padre, de um lado, e o povo de outro, e sim esses dois – padre e povo – de um, e Deus de outro. É Deus quem deve ser “cumprimentado”.
      A única saudação é a própria do início da Missa, que serve como uma bênção de Deus, através do sacerdote, para os fiéis que a Ele vieram oferecer Seu Filho. O uso de outra saudação, como “bom dia”, “boa tarde”, além de sua falta de senso em face do destinatário da adoração prestada na Missa, faz com que a saudação litúrgica fique sem sentido.

Na prática:

1. Não dê o sacerdote nem o comentarista um “bom dia”, nem “boa tarde”, “boa noite” ou qualquer outro cumprimento similar. A saudação é a do Missal. O culto é para Deus, não para o homem.
2. Faça-se o sinal-da-cruz conforme as rubricas: rezado ou cantado. Se cantado, com a letra milenar inalterada e sem acréscimo algum de qualquer ordem. Em todos os casos, apenas o sacerdote recita, enquanto o povo o acompanha somente no gesto.
3. A entrada é acompanhada por um canto, quer do Gradual, quer do Missal, ou ainda qualquer outro que seja coerente com a dignidade da liturgia. Dê-se preferência à antífona do Gradual, que pode ser traduzida ao vernáculo. Se nenhum canto houver, o sacerdote deve recitar a antífona proposta no Missal, e só ela.


quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Formação Litúrgica


Formação Litúrgica (Parte 1)
Objetos Litúrgicos e Cerimonial da Santa Missa

Cálice – Vaso sagrado utilizado para se colocar o vinho que na Santa Missa se transformará (Transubstanciação) no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. 
Cibório ou Âmbula – Vaso sagrado utilizado para conter as partículas que na missa se transformarão (Transubstanciação) no Corpo do Senhor.

Patena – Recipiente em forma de um “pratinho”, utilizado para conter a Hóstia utilizada pelo padre e que na Santa Missa será transformada (Transubstanciação) no Corpo do Senhor.


Galhetas – Jarras usadas para conter o vinho e a água e que no momento do ofertório é lavado pelos acólitos ou coroinhas à presença do sacerdote.

 Lavabo – Conjunto de Jarra, bacia e toalha, utilizado para lavar as mãos do sacerdote após a apresentação das ofertas do pão e vinho. Este momento é chamado de Purificação do Sacerdote. A toalha na qual o sacerdote seca as mãos é chamada de Manustérgio.
Carrilhão – Conjunto de sinetas, utilizado para alertar os fiéis sobre o momento da Epiclese. Segue-se uma pequena instrução sobre o termo Epíclese e sua importância para a Santa Missa.






Significado dos Termos Epíclese e Transubstanciação

Epiclese é uma palavra de origem grega (EPÍKLESIS) e significa “chamar sobre”, “invocar sobre”.

EPICLESE, "invocação sobre", é a solene "invocação" ao Pai para que envie o seu Espírito Santo sobre aquilo que a Igreja lhe oferece, (o pão e o vinho) a fim de que a oferenda seja transformada no Corpo e no Sangue de Cristo.

É o momento central de toda a Santa Missa, pois na epiclese realiza-se a mais poderosa sinergia (cooperação) de Deus e do homem, tanto na celebração como na liturgia vivida."



Transubstanciação

A palavra “transubstanciação” (do Latim: TRANS – Além ou Para Além / SUBSTANTIA – Substância, Ser, Essência, Matéria) exprime a conversão da substância ou da realidade íntima do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A fé ensina que, quando as palavras da consagração são pronunciadas sobre o pão, a substância deste se muda ou converte totalmente em substância do Corpo humano de Cristo (donde o nome “transubstanciação”), ficando, porém, os acidentes ou as notas externas do pão, ou seja, fica apenas a aparência de pão e a aparência do vinho.  Sendo assim, sem mudar de aparência, o pão consagrado já não é pão, mas é substancialmente o Corpo de Cristo.  Análogo fenômeno se dá com o vinho; ao serem pronunciadas sobre ele as palavras da consagração, sua substância se converte no sangue do Senhor.  Não há dúvida, é este um caso de intervenção da Onipotência de DEUS que não tem par em toda a ordem da natureza.

TuríbuloObjeto Litúrgico utilizado para colocar brasas e que tem por finalidade queimar o incenso ofertado a Deus nas Santas Liturgias.


Naveta – Recipiente em forma de navio (daí o nome naveta ou pequenina nave) utilizado para se guardar o incenso. A naveta sempre vem acompanhada de uma pequena colher que serve para pegar o incenso e colocar no turíbulo.

Abaixo segue-se uma explicação do sentido do incenso na Santa Missa e em outras celebrações.



O uso do Incenso na Santa Missa

Os primeiros cristãos não utilizaram o incenso na liturgia desde o início porque queriam se distinguir, o mais claramente possível, do paganismo. (no paganismo antigo o incenso era utilizado para se adorar os falsos deuses) Extinto o paganismo, e oficializado o culto cristão, o rito do incenso encontrou logo seu lugar na liturgia.  A partir do Século IV, a tradição cristã adotou o incenso em seus rituais de consagração e ainda hoje o queima para honrar primeiramente a DEUS, e depois o altar, as relíquias, os objetos sagrados, os sacerdotes e os próprios fiéis, para propiciar a subida ao céu das almas dos falecidos no momento das Exéquias, e para representar as orações de toda a Igreja. (“Minha oração suba a vós como o incenso e minhas mãos, como oferta da tarde.” Sl. 140, 2)

Para nós católicos, significa isso: Ao Senhor dos Senhores oferece-se incenso. É adoração e honra. Entre os presentes oferecidos pelos reis Magos ao Menino Jesus está o incenso.  (Mt, 2,11)

Graças à benção propiciada pelo incenso antes de seu uso, ele chega a ser um sacramental (sinal sagrado, que possui certa semelhança com os sacramentos e do qual se obtém efeitos espirituais). Outros exemplos de Sacramentais são a Água Benta e os Sinos das Igrejas.